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NC - Johannes Brahms (1833 – 1897) - Variações sobre um tema de Haydn, Op. 56

Compostas em 1873, as Variações surtiram um grande efeito na carreira do compositor romântico Johannes Brahms, tanto por ter consagrado seu nome no gênero, quanto por ter preparado o caminho para uma de suas obras primas: a Sinfonia nº 1 em dó menor. Brahms estava muito relutante em se aventurar na composição de uma sinfonia devido ao peso da responsabilidade em continuar com a tradição de um gênero cuja última grande referência havia sido a de Beethoven (1770 – 1827).

O tema que foi utilizado por Brahms provém de uma peça para grupo de sopros chamada Coral de Santo Antônio, cuja autoria fora atribuída, primeiramente, a Joseph Haydn (1732 – 1809), um dos pilares do classicismo juntamente com Mozart (1756 – 1791) e Beethoven. Porém, alguns estudiosos constataram que o estilo empregado nessa peça não corresponde ao utilizado por Haydn, o que compromete seriamente a veracidade de sua autoria. Devido a isso, alguns preferem chamá-las apenas de Variações Santo Antônio, pois independentemente de quem tenha composto o tema, ele possivelmente pertence a algum hino ou melodia utilizada em ocasiões religiosas como missas ou festividades endereçadas ao santo.

A forma da obra é tema e variações: um tema principal é apresentado e, em seguida, submetido a variações – oito ao todo mais o Finale. Cada variação traz ao ouvinte uma sensação diferente em relação à ambiência criada por Brahms através da orquestração. É interessante notar que, embora sejam baseadas em uma mesma melodia, as variações causam sempre o impacto de uma nova música, surpreendendo constantemente nossa audição. Na coda do “Finale” que encerra a obra, Brahms faz referência a uma passagem que realmente pertence a Haydn, mais especificamente do segundo movimento de sua Sinfonia n° 101 em ré maior, conhecida como “O Relógio”. Talvez, essa seja a única referência verdadeira de Haydn em toda obra.

Dario Rodrigues Silva