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NC - Dmitri Shostakovich (1906 – 1975) - Sinfonia nº 9, em Mi bemol maior, Op. 70

De todas as sinfonias de Shostakovich, esta é a mais curta. Foi composta entre os anos de 1944 e 1945, período em que terminava a II Guerra Mundial e a União Soviética saía vitoriosa. Nesse contexto e motivado por tal ocasião, nos parece bastante certo que Shostakovich iria imprimir em sua Nona Sinfonia um ar imponente, ressaltando a grandiosidade da nação Russa, o sentido nacionalista, tal como o realismo soviético que Stalin desejava. Ao invés disso, ele deu origem a uma obra totalmente avessa a esse espírito, isto é, despretensiosa, repleta de motivos sarcásticos e irônicos, com passagens que muito nos lembra Haydn. Por esses e outros motivos, ela é vista por muitos como uma maneira que Shostakovich encontrou de protestar contra o regime stalinista, e não tardou para que a obra fosse banida e censurada pelo Partido Comunista exatamente por não corresponder com os ideais do realismo soviético. Stalin se referiu à obra como sendo um “mero capricho burguês“. É uma obra em tons neoclássicos, bem articulada, engenhosa, transparente e de grande eloquência, que mostra um lado de Shostakovich bastante peculiar, que nenhuma outra sinfonia foi capaz de revelar.

Dario Rodrigues Silva