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NC - Antonin Dvořák (1841 – 1904) - Stabat Mater, Op.58

“Stabat Mater” é um poema religioso cuja origem remonta ao século XIII. Era um texto usado na liturgia romana, como sequência da missa ou então na forma de um hino. O termo é uma abreviação da primeira frase do texto em latim – Stabat Mater dolorosa - que em uma tradução aproximada para o português significa - Estava a mãe a sofrer”. O texto refere-se à mãe de Jesus, portanto, trata-se de um poema que relata a aflição de Maria ao assistir a triste cena da crucificação de seu filho Jesus. Vários compositores se utilizaram do texto como base para suas composições, dentre eles estão Vivaldi, Domenico Scarlatti, Pergolesi, Joseph Haydn, Rossini, Verdi, e muitos outros, incluindo compositores contemporâneos de nosso tempo como Penderecki e Arvo Pärt.

A partir do século XIX, o gênero deixa de ser exclusividade do meio litúrgico e passa a ser composto no intuito de ser uma obra de concerto, ganhando novas proporções em relação à estrutura e orquestração. Exemplo disso é o “Stabat Mater” para solistas, coro e orquestra do compositor tcheco Antonin Dvořák, que ampliou o gênero à dimensões próximas às de um oratório, tornando-o uma verdadeira cantata. Foi a primeira obra sob tema religioso que Dvořák se aventurou a compor. A obra completa está dividida em 10 partes, cada qual com uma estrutura e orquestração peculiar, sendo que somente a primeira e última parte é que possuem relações temáticas entre si. O primeiro movimento segue o modelo de uma forma sonata estendida, em estilo sinfônico. Começa com uma longa introdução orquestral que em seguida é repetida pelo coral, sendo que o segundo tema de caráter contrastante é apresentado pelos solistas. A seguir, temos uma seção onde o material apresentado é desenvolvido, conduzindo a música para a re-exposição do tema de abertura da obra. O movimento final reutiliza o mesmo material da abertura do primeiro movimento, porém, quando alcançada a seção do “Amém”, a música adquire um caráter brilhante, suntuoso, que modula para uma tonalidade maior culminando em uma fuga de considerável complexidade.

A obra é envolta por forte sentimento de melancolia e introspecção, além da atmosfera densa conseguida através da opulência do coral, características que tanto podem ser reflexos da própria natureza do poema, quanto também podem ser provenientes da profunda dor que Dvořák carregava consigo enquanto finalizava sua magnífica obra. Por ironia do destino, tinha ele nesta ocasião perdido dois de seus filhos em um curto espaço de tempo, o que pode ter feito com que seu sofrimento encontrasse refúgio e conforto naquele poema litúrgico de grande força, amparando o pai que ali estava a sofrer.

Dario Rodrigues Silva