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NC - Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) - Concerto para Piano e Orquestra n° 1, em Dó Maior, Op.15

O “Concerto para Piano e Orquestra em Dó Maior, Op.15”, de Ludwig van Beethoven, foi composto entre 1796 e 1797 e foi o primeiro de uma série de cinco concertos para piano. Beethoven foi de suma importância na transição do Classicismo para o Romantismo, porém essa mudança ocorreria tardiamente em sua vida e de maneira progressiva. No começo de sua vida enquanto compositor ele ainda era um clássico e, como tal, seguia os modelos dos maiores pilares do Classicismo: Joseph Haydn (1732 – 1809) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791). Há relatos de que no ano de 1787, Beethoven teria viajado para Viena na esperança de ter aulas com Mozart. Não temos detalhes sobre se esse encontro de fato aconteceu, ou se eles mantinham algum tipo de contato. Por volta de seus 20 anos, Beethoven teve aulas com Haydn em Viena.

Nesse seu primeiro concerto, podemos notar a forte assimilação dos estilos de Haydn e Mozart, não só em relação à forma, que não se mostra tão ousada quanto nos demais concertos, em especial nos de número 3, 4 e 5, mas também em relação à construção melódica e harmônica. Porém, embora os estilos ainda sejam baseados nos moldes clássicos, é incontestável a presença da impetuosidade de Beethoven, que embora jovem, já deixava transparecer boa parte de seu espírito indomável.

No primeiro movimento – Allegro con brio – Beethoven emprega uma forma sonata, onde a orquestra é quem se encarrega de fazer a apresentação dos dois temas principais. Aqui, percebemos uma forte influência do estilo mozartiano no tratamento temático: o piano não começa com a apresentação do tema, mas sim a orquestra, e quando o solista surge, ao invés de repetir o tema já exposto pela orquestra, traz ao discurso uma nova ideia musical, apresentando materiais inéditos que posteriormente serão desenvolvidos. Antes da coda de encerramento feita pela orquestra, o solista realiza a cadência, ou seja, momento onde somente o piano predomina, realizando passagens virtuosísticas baseadas nos materiais temáticos apresentados no decorrer do movimento. É a parte do concerto onde o solista exibe sua destreza técnica e musical. O segundo andamento – Largo – é uma forma ternária no modelo ABA. Na seção “A”, vários temas melódicos são apresentados, imbuídos de grande lirismo e musicalidade, seguindo para a seção “B”, onde esses mesmos temas são desenvolvidos e retrabalhados para que posteriormente, após uma preparação, a seção “A” retorne com sutis modificações. O terceiro movimento é um Rondó – Allegro scherzando – no modelo ABACADA, uma forma tradicional do período clássico, amplamente utilizada por Haydn e Mozart. No Rondó - do francês rondeau, uma dança de roda, vindo daí, seu aspecto cíclico - temos um tema principal com forte caráter dançante, representado pela letra “A”, o qual é intercalado com temas secundários e contrastantes, não só no caráter melódico, mas principalmente na tonalidade. O movimento termina com um forte contraste dinâmico, onde o piano desenvolve uma melodia suave e calma, enquanto a orquestra avança para o encerramento com grande massa sonora.

Dario Rodrigues Silva