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NC - Johannes Brahms (1833 - 1897) - Sinfonia n° 4 em Mi menor

A última e mais romântica sinfonia composta por Brahms, um dos mais intensos compositores do romantismo tardio. Possui quatro movimentos: I) Allegro non troppo, II) Andante moderato, III) Allegro giocoso e IV) Allegro energico e passionato. O primeiro movimento possui uma dramaticidade implícita em gestos grandiosos da orquestra, em que o tom apaixonado corre por harmonias rebuscadas e incisivas, bem típicas do vocabulário de Brahms, começando a obra de maneira arrebatadora. Este primeiro movimento está na forma sonata, típica das sinfonias, o que quer dizer que sua estrutura é baseada na ideia de temas que são apresentados, posteriormente são desenvolvidos, para serem recapitulados e, só então, o movimento é concluído. Soa muito redutivo expressar assim uma forma tão complexa quanto a sonata, ainda mais se tratando de uma sonata de Brahms, um gênio absoluto em formas como essa, porém, o mais importante é que o ouvinte perceba essa relação do diálogo musical, do desenvolvimento dos gestos musicais, para que aproveite ao máximo a riqueza de uma obra desse porte.

O segundo movimento traz um contraste de caráter muito forte, pois possui um ar mais sereno e introspectivo em relação à paixão do primeiro. Depois de nos extasiarmos com a reflexão que o segundo movimento nos causa, temos outro contraste muito grande com a entrada do terceiro movimento, que se desenvolve em passagens leves e entusiasmadas dos sopros, em contraponto com respostas vigorosas da orquestra, através de melodias irônicas e burlescas.

No quarto movimento o compositor demonstra extremo domínio estrutural, pois se trata de uma Passacaglia, gênero muito praticado no barroco, em que um tema é constantemente repetido, não necessariamente em uma mesma voz, podendo, portanto, caminhar entre as demais sem que isso interfira em seu perfil.

Dario Rodrigues Silva