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NC - Gioachino Rossini (1792 - 1868) - Le siège de Corinthe (O assédio de Corinto) Abertura

Foi a primeira ópera em língua francesa do italiano, composta por volta de 1826. Dividida em três atos e com libretto de Luigi Balocchi e Alexandre Soumet, essa obra é uma readaptação de outra ópera de Rossini chamada Maometto II, cujo libretto é de César Della Vale e retrata a guerra entre turcos e venezianos. O título se refere ao sultão turco-otomano Mehmed II, conhecido como O Grande Conquistador de Istambul. A ópera Maometto II, concluída por volta de 1820, não foi muito bem aceita na cidade italiana de Nápoles e, na tentativa de garantir o sucesso da apresentação em lugares como Paris e Veneza, Rossini modificou significativamente alguns elementos da obra que, segundo ele, foram os responsáveis pela difícil aceitação por parte da plateia. Em 1826, a ópera passou por uma reformulação mais radical, quando o compositor acrescentou um ato, totalizando três. A língua que então passou a ser francesa, assim como o título – Le siège de Corinthe – e também o enredo que foi ampliado. Resumidamente, a história do Assédio de Corinto fala sobre o cerco e a destruição e o declínio da cidade grega de Missolonghi em 1826 pelos turcos, durante a Guerra da Independência Grega. A referência ao Corinto é alegórica, mas Mehmed II de fato sitiou a cidade em meados de 1450.

Não é raro nos depararmos com aberturas operísticas executadas como peças independentes no repertório de concerto. Como o próprio termo já denota – Abertura –, trata-se de uma composição cujo propósito principal é o de introduzir ou preparar os ouvintes para uma obra maior, no caso, uma ópera. No século XIX a abertura se desvinculou de seu uso restrito de caráter introdutório e se tornou um gênero independente, tal como aconteceu com os prelúdios instrumentais, que também serviam como introdução para peças posteriores e que, no decorrer dos anos, tornaram-se peças autônomas. Geralmente, as aberturas operísticas funcionam como uma espécie de sinopse musical da trama, em que os principais elementos melódicos e motívicos são apresentados, ajudando na ambientação do público para o que se segue. Na abertura de O assédio do Corinto encontramos o melhor do vocabulário rossiniano, com a força instrumental que lhe é peculiar, com tutti orquestrais de passagens vigorosas e melodias esfuziantes na parte das cordas que engendram um jogo bem articulado de instrumentações e timbres.

Dario Rodrigues Silva