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NC - Felix Mendelssohn Bartholdy (1809 - 1847) - Concerto para Violino em Mi menor, Op. 64

Mendelssohn começou a escrever esse concerto por volta de 1838 e só o finalizou em 1845, dois anos antes de morrrer. O concerto se consolidou como uma das peças mais importantes para o repertório de violino, tanto pela beleza e sofisticação, quanto pelo desafio técnico e sonoro que oferece aos intérpretes. Está divido em três movimentos, seguindo a configuração tradicional clássica de andamentos (rápido – lento – rápido): o primeiro é um Allegro molto appassionato, o segundo um Andante e o terceiro e último um Alegretto non troppoAllegro molto vivace. Embora a divisão dos movimentos remonte a uma prática clássica, assim como o uso da forma sonata no primeiro movimento, Mendelssohn inova em muitos aspectos como na entrada do solista logo no início do primeiro movimento – Allegro molto apassionatto –, não comum nos concertos clássicos que geralmente começavam com uma introdução da orquestra usando motivos que seriam posteriormente apresentados pelo solista, ou então, o tema principal era primeiramente apresentado pela orquestra para que em seguida fosse entregue ao solista (dupla exposição). Neste concerto, solista e orquestra exploram juntos as principais ideias temáticas, em um diálogo constante. Outro aspecto inovador reside na cadência do primeiro movimento – parte solo, geralmente usada para que o intérprete exiba sua destreza técnica ao instrumento e também como elemento expressivo e estrutural da obra – que em um concerto clássico tradicional ocorreria no final do movimento, porém, Mendelssohn a coloca antes da re-exposição, ou seja, antes do reaparecimento do tema principal com o qual o movimento começa. O segundo andamento – Andante – é revestido por um intenso lirismo que muito nos lembra suas Canções sem Palavras, peças para piano cuja força poética reside na expressividade melódica. Outro fator que reforça essa comparação é a forma ternária sob a qual o segundo movimento está estruturado, o que é bem comum no gênero canção. Outra reminiscência do período clássico se encontra no terceiro e último movimento – Allegretto non troppo - Allegro molto vivace – o qual se encontra na forma de uma Sonata-Rondó , gênero bastante utilizado durante o período clássico, que encerra a obra com um brilhantismo sonoro proveniente da solista e do Tutti orquestral.

É uma obra de requinte e que serviu de molde para muitos compositores, tanto pelo equilíbrio no controle da forma, quanto pelas inúmeras inovações presentes nas estruturas internas dos movimentos, e também na consolidação da linguagem romântica.

Dario Rodrigues Silva