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NC - Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) - Paixão Segundo São João, BWV 245 |

Obra-prima do barroco composta em meados de 1724 e estreada em Leipzig em uma Sexta-Feira Santa. Trata-se de um oratório sacro, cujo título já demonstra a intenção da obra: a representação dramática dos principais eventos da semana santa cristã, através dos relatos do Evangelho de São João. Bach também compôs uma Paixão Segundo São Matheus, porém, a de São João é mais expressiva e dramática. Há ainda outra obra de natureza semelhante, a Paixão Segundo São Lucas, que não possui autenticidade comprovada. Uma questão intrigante em relação à Paixão Segundo São João é que não há uma versão que se possa chamar de definitiva, já que várias foram encontradas. No entanto, a versão de 1740, possivelmente uma revisão feita pelo próprio Bach, é frequentemente usada como referência para muitas execuções atuais.

Bach fez uso dos capítulos 18 e 19 do Evangelho de João, da bíblia luterana, e também de outros textos não litúrgicos para a construção e junção da obra. Os personagens principais – Jesus, Pôncio Pilatos e Pedro – são representados por solistas. Há também a figura de um narrador, chamado Evangelista, e de personagens coadjuvantes – um servo e uma criada – que participam de cenas, realçando o drama e os acontecimentos. Os recitativos e árias são apresentados pelos solistas, e demais partes musicalmente recitadas são de responsabilidade de Evangelista. As árias são primordiais para o desenvolvimento do enredo, pois contam de maneira destacada os momentos mais intensos da história, como a via-sacra, a crucificação e assim por diante. O coro possui várias funções, como a de fazer comentários sobre as cenas, exaltar a glória de Deus, ou lamentando determinadas passagens, mas a principal e mais contundente é a de representar o povo, como no julgamento de Cristo, momento no qual o coro se levanta para representar a multidão. A obra está dividida em duas grandes partes: na primeira, uma cena acontece no Vale do Cédron, local próximo a Jerusalém, e a outra acontece nas dependências do sumo sacerdote Caifás, em seu palácio. Na segunda parte, são mostradas três cenas: uma situação com Pôncio Pilatos, outra no Calvário e a última no local do sepulcro. A obra toda é emoldurada pelo uso de grandes corais que abrem e encerram a peça. Assim acontece a representação, através da constante alternância entre personagens, coros e as árias em uma das mais belas e dramáticas representações religiosas do período barroco.

Dario Rodrigues Silva