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NC - Georg Friedrich Haendel (1685 - 1759) - “Entrada da Rainha de Sabá” - Abertura do ato III do oratório “Solomon”

Após se consagrar como exímio compositor de óperas, sobretudo na cidade de Londres, Haendel começa a ganhar reconhecimento também com seus oratórios. A diferença entre uma ópera e um oratório reside basicamente na temática: o oratório é um gênero musical que se define por narrar uma história de cunho bíblico, de grande conhecimento na tradição cristã, enquanto uma ópera pode abordar os mais diversos assuntos, desde histórias pagãs até a mitologia grega. Ambos os gêneros possuem similares em sua estrutura musical: contêm árias, solistas, coros, recitativos. Porém, outro ponto que distingue bem um gênero do outro é a encenação. Na ópera, a teatralidade ou representação das cenas e dos eventos das personagens é de extrema importância, sendo, assim, uma das características mais fortes do gênero. Já no oratório, a questão da encenação é posta em segundo plano, pois o mais importante é o significado do texto que, então, é reforçado pela música. Não é raro encontrarmos oratórios sendo encenados, com cenários, personagens a caráter etc., porém, trata-se de uma releitura moderna que não corresponde com a natureza do gênero tal como foi concebido na época de Haendel, pois o que importava para o compositor era a maneira como a música potencializava o significado do texto.

A obra “Solomon” de Haendel exemplifica bem esses traços. Composta por volta de 1748, esse magnífico oratório, que apresenta corais suntuosos em meio a uma orquestração ampla bastante ousada para a época, conta uma história de amor bem conhecida da tradição cristã: a do sábio Salomão e da rainha de Sabá. O núcleo central da história gira em torno do episódio em que o sábio se depara com uma situação atípica, quando duas mulheres alegam serem mães de uma mesma criança. É um oratório já bastante maduro de Haendel, dado ao fato de que, anteriormente, o compositor já havia criado duas outras obras-primas do mesmo gênero: “O Messias”, de 1741, e “Judas Maccabeus”, de 1746.

Dario Rodrigues Silva