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NC - Karl Jenkins (1944) - Adiemus, “Songs of Sanctuary” - Para voz solista, coro feminino, flauta doce contralto, orquestra de cordas e percussão

O compositor de origem gaulesa Karl Jenkins é sem dúvida um dos nomes mais comentados e de maior projeção no cenário musical contemporâneo. Sua identidade musical é resultante de uma bagagem diversificada que o compositor foi acumulando ao longo de sua trajetória profissional. Em meados da década de 1970, Jenkins fez parte da aclamada banda de jazz de Ronnie Scott – um célebre saxofonista – e também da Soft Machine, banda que mesclava elementos do rock psicodélico com as vertentes do jazz.

No decorrer dos anos, Karl Jenkins se aventurou no meio midiático, compondo trilhas e músicas incidentais para fins publicitários. Em meados de 1990, a empresa Delta Airlines European procurou Jenkins para que ele se encarregasse de compor uma música tema original, a qual seria usada nas propagandas da companhia aérea. O sucesso e as repercussões do tema composto por Jenkins foram tantos, que possibilitaram e incentivaram o compositor a criar um projeto audacioso e bastante inovador chamado “Adiemus” – mesmo nome da música-tema criada para a Delta Airlines – que envolveu uma série de obras com temáticas africanas, e que resultou em sete álbuns de grande sucesso. “Songs of Sanctuary” é o primeiro desses álbuns lançado em 1995 pelo prestigioso selo da EMI/Virgin. Nele, o compositor recria de maneira intensa a ambiência africana, em todo o espectro de seu rico exotismo. A parte lírica recebe atenção especial, porém, o texto utilizado nas canções é propositalmente isento de significado: embora o compositor tenha se inspirado no dialeto africano maori, seu objetivo principal foi o de utilizar a voz como um instrumento integrado aos demais, pois, segundo ele, a utilização de um texto com forte significado ocasionaria um desvio em relação à parte instrumental, uma competição indesejada que comprometeria o resultado sonoro como um todo. Portanto, prevalecem na parte do canto, vocalizações e pequenas frases livres que muito nos lembra as canções primitivas entoadas pelas tribos africanas. O papel da percussão é outro ponto chave da obra, pois não só fornece um alicerce rítmico para o desenvolvimento musical, mas, também, serve para nos inserir na atmosfera da obra.

Assistir essa insigne obra de Karl Jenkins é uma experiência multissensorial; é física, visual, auditiva, e que a todo o momento desperta sensações capazes de nos transportar diretamente para as savanas africanas sem a menor necessidade de uma linha aérea. É deixar-se envolver do começo ao fim sem o menor esforço. Portanto, apertem os cintos e aproveitem a viagem!

Dario Rodrigues Silva