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NC - Antonin Dvořák (1841 – 1904) - Sinfonia Nº 9, “Novo Mundo”

Compositor de origem tcheca, Dvořák é outro nome bastante expressivo do romantismo, com forte tendência nacionalista. Em suas obras encontramos várias citações de melodias da Morávia, Boêmia e de demais regiões da República Tcheca. As Danças Eslavas para piano a quatro mãos são algumas das obras mais significativas do repertório de Dvořák, especialmente pelo forte teor nacionalista expressado pelas melodias folclóricas e pelos ritmos das danças típicas. São equivalentes às Danças Húngaras de Brahms (1833 – 1897), compositor alemão e um dos pilares do romantismo tardio, cuja obra citada também reflete o mesmo espírito nacionalista.

Em meados de 1892, Dvořák esteve a trabalho nos Estados Unidos, e desse contato resultou sua sinfonia mais famosa, a de número 9, ou como é popularmente conhecida: Sinfonia do Novo Mundo. Assim que pisou em solo americano, Dvořák ficou deslumbrado com o novo mundo que se erguia à sua frente, com a nova cultura e os novos sons e ritmos que ecoavam pelas ruas do até então desconhecido ambiente. Esses aspectos influenciaram diretamente na sonoridade de sua sinfonia e foram os responsáveis pelo americanismo perceptível na obra. Porém, ao ouvirmos a sinfonia, também notamos certa insistência por parte das melodias de canções eslavas querendo ora sobrepor, ora se envolver com o espírito americano ali presente. Isso pode ser reflexo da saudade que acometia o compositor ao se lembrar de sua terra natal durante a viagem aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se apaixonava pelo novo mundo que, aos poucos, ia conhecendo. Boa parte da narrativa dramática da obra é proveniente do embate entre o deslumbre do novo mundo e a saudade da terra natal, onde ora o êxtase dá lugar à nostalgia, ora se sobrepõe ou funde-se a ela, refletindo um diálogo íntimo do próprio compositor diante de tal situação.

Dario Rodrigues Silva